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Mostrando postagens de agosto, 2022

O mundo é pequeno pra caramba

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Estou planejando uma viagem e, também por conta disso, comecei a seguir alguns perfis no Instagram relacionados ao tema (ou de pessoas que, nesse momento, estão documentando suas viagens). Como não poderia deixar de ser, comecei a ser bombardeado com conteúdo de viagem do tipo mais diverso: venda de malas, seguros, tickets para passeios, perfis focados em “experiência” de turismo etc. Daí lembrei que li, faz já um tempo, um  texto da Susan Sontag  em que ela discutia a relação entre o avanço das câmeras fotográficas e a invenção do turismo. Pode ser estranho pensar sobre isso agora, mas o turismo é, de fato, uma invenção do século XX. Não que o desejo de conhecer o mundo seja novo. Goethe fez enorme sucesso com seus  diários de viagem para a Itália  justamente porque essa vontade, de conhecer o que é de fora, já existia. Também  Montaigne dedica inúmeros ensaios ao tema da viagens , ou ao desejo de fazê-las. No entanto, por muito tempo, viajar era coisa para pou...

Nada existe

Inventamos ciclos para lidar melhor com o fato de que a realidade é caótica e imprevisível. Como somos obcecados por ordem, queremos acreditar que a vida cotidiana deveria seguir determinados propósitos ou caminhos. Mas as coisas acontecem apenas por acontecer. Nada  tem  que ser assim, ou de qualquer outro jeito. O terrível, no entanto, é que é difícil lutar contra o desejo de identificar um propósito para cada ação, passo ou respiro nosso. Infelizmente, nada disso existe.

O som da rua

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Eu moro em um prédio que fica colado em uma avenida. Acordo muito cedo todo dia e fico observando o som crescendo, os carros, ônibus, pássaros, as pessoas conversando passando pela calçada, fazendo exercício, indo pro supermercado. E chega um momento em que tudo é tão intenso, e tão constante, que já é um som aqui de dentro, que faz parte da sala. Fazer yoga, escrever, planejar minhas aulas ou escutar música, são atividades que precisam se conciliar com tudo o que acontece lá fora. Esse aqui é o som da rua em um sábado (quando tudo está um pouco mais calmo), às 18h: Marcos Ramon  ·  O som da rua No áudio acima eu saio do quarto e vou para a sala, e todo o som da rua toma conta do quase silêncio de antes. Os carros e motos na rua, as crianças brincando, uma pessoa jogando basquete. É muito. Tudo acontecendo, crescendo. E na maior parte do tempo eu nem percebo. John Cage, falando sobre 4’33’’, disse que “o silêncio não existe”. Perto do fim da vida ele se mudou junto com Cunning...