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Mostrando postagens de julho, 2022

Treino de basquete, 1995

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Essa história que conto aqui aconteceu quase assim, mas não exatamente. Mudei os nomes e os detalhes. No mais, bem que poderia ter sido. Sábado à tarde. Fui ao supermercado comprar laranjas, tangerina, melão, pão, presunto e queijo. Tirando o melão, que estava caro, comprei tudo da lista e estava voltando pra casa, quando uma pessoa que andava na minha frente parou e disse: – Ei, cara. Tudo bem? Posso te fazer uma pergunta? – Claro. – Você jogou basquete no Marista? – Nossa. Sim, você estudou lá também? (E agora, não lembro dele)  – Estudei. Eu jogava na mesma época. – Puxa, desculpa. Não tô lembrando de ti. (Acho que é melhor falar logo a verdade) – Sem problema. Faz tanto tempo, né? E eu era de uma turma antes da sua. Imaginei que você não ia lembrar mesmo. Lembra do Leonardo? – Leonardo? – É, ele jogava contigo. Era da tua turma. A gente chamava ele de "perninha"; corria engraçado. – Acho que lembro sim. (Meu Deus, Leonardo?) – Tu ainda usa cabelo comprido. Tá igualzinho. ...

A presunção moral

Viver em sociedade implica, necessariamente, em aceitar o confronto com os outros. Tem que ser desse jeito e não pode ser de outro porque não existe vida sem conflito — o que não significa que a gente precise estar em constante estado de violência ou agressão. Por mais que pareça, a vida no confronto é o que nos faz avançar e adotar uma postura de transformação (nossa e do mundo). Eu sei que as pessoas às vezes dizem que gostariam de estar em uma comunidade em que todos fossem iguais em tudo, mas a verdade é que ninguém espera realmente uma vida assim, como se fosse possível termos um pensamento único. Não é possível e nem seria vantajoso, e imagino que você também sente que é assim. No âmbito do confronto, muitas pessoas se colocam como mais capazes e moralmente superiores às outras. E é aí que eu acho que tudo descamba pro erro, porque essa presunção moral, que nos faz achar que as ideias diferentes são sinônimo de falha de caráter, deixam todo e qualquer convívio inviável. Ninguém é...